Luis Segundo

O ponto comercial

O que é um open mall — e por que ele virou o formato da vez no Ceará

O modelo a céu aberto cresce em Fortaleza e avança para o interior. Entenda o que o diferencia do shopping tradicional e por que o custo de condomínio explica boa parte da conta.

Por Luis Segundo · 23 de agosto de 2026

Quem anda por Fortaleza percebeu: nos últimos anos, os empreendimentos comerciais pararam de nascer fechados e climatizados. Nasceram abertos, na esquina, na avenida, no bairro. E agora estão indo para o interior.

O nome disso é open mall — e a diferença para o shopping tradicional não está só na cobertura.

A conta que separa os dois modelos

Um shopping fechado é uma máquina cara de manter. Climatização, fundo promocional, praça de alimentação, segurança de área comum: tudo isso vira condomínio, e o condomínio é pago pelo lojista todo mês, além do aluguel.

O open mall corta a maior parte dessa estrutura. Sem ar-condicionado de área comum, sem circulação interna extensa para manter, o custo de ocupação cai — e cai justamente para o tipo de lojista que não conseguiria pagar a conta de um Iguatemi ou de um RioMar.

É por isso que o formato cresceu como cresceu. Não é moda arquitetônica. É viabilidade.

O tamanho define o nome

A classificação usada no setor separa os empreendimentos por área bruta locável:

Para comparação: o Iguatemi Fortaleza passa dos 60 mil m² de ABL. Um open mall de bairro costuma ficar entre 5 e 10 mil. São negócios de natureza diferente, com públicos diferentes e contas diferentes.

O shopping é um organismo vivo

Quem olha os empreendimentos antigos aprende que eles não param quietos. O Iguatemi já passou por três ou quatro expansões, e cada uma tem cara própria — a ponto de o público se distribuir por afinidade, frequentando mais uma ala que outra.

E o mix mudou. O shopping deixou de ser só loja. Hoje tem academia, boliche, serviço, restaurante que funciona como restaurante de rua dentro do empreendimento.

Hoje a palavra experiência é tudo.

O melhor exemplo local disso não veio de fora: veio da leitura do costume cearense. O North Shopping criou o Quintal, e o Jóquei fez movimento parecido — áreas externas de gastronomia, ao ar livre.

Funcionou porque o cearense tem cultura de varanda. Alguém percebeu isso e desenhou para isso.

O que isso significa para quem tem um terreno

Se você tem um terreno com vocação comercial, a pergunta não é "cabe um mall aqui?". É: qual formato a praça comporta, e qual custo de ocupação o lojista dessa região consegue pagar?

Errar isso não aparece na planta. Aparece na comercialização, quando as lojas não alugam.

E ainda cabe mais mall?

Cabe — mas com cautela. O risco agora não é falta de mercado, é canibalismo: empreendimentos nascendo vizinhos um do outro, disputando o mesmo lojista e o mesmo consumidor.

Montar empreendimento um vizinho ao outro, isso vai dar problema lá na frente.

A resposta para isso não é intuição. É análise: olhar o mapa, entender se existe vazio real de oferta naquele ponto, e comprovar com número — que é o que o investidor quer ver antes de assinar.

De onde veio este texto. Ele nasceu do episódio 11 do podcast Segundou, com o arquiteto Ricardo Braga, da RI Arquitetura. O episódio completo está no YouTube e no Spotify. As falas citadas foram editadas para leitura, preservando o sentido.
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