Luis Segundo

Investir

O que gera demanda: a pergunta que decide se o investimento rende

Rentabilidade prometida de 1% ao mês virou anúncio comum. O que sustenta esse número não é a promessa — é o que existe em volta do imóvel.

Por Luis Segundo · 23 de agosto de 2026

Quem acompanha o mercado imobiliário é bombardeado por anúncios prometendo 1% de rentabilidade ao mês. Fortaleza, São Paulo, litoral, capital — a promessa é sempre a mesma.

O papel aceita tudo. O que decide se o número se cumpre é outra coisa.

Nem tudo aquilo que a gente vê é bom.

A primeira pergunta não é sobre o imóvel

É sobre o entorno.

Antes de olhar planta, acabamento ou tabela, a pergunta que separa investimento de aposta é: o que gera demanda nesse lugar? Quem vai ocupar isso, por que motivo, e essa razão é permanente ou passageira?

Em São Paulo, cada bairro funciona como uma cidade diferente. Perto do eixo corporativo — Chucri Zaidan, Berrini, Brooklin —, o público que ocupa é corporativo. Na região central, o perfil é outro: quem vai atrás de cultura e vida urbana. Mesmo produto em bairro diferente muda completamente de resultado.

A sensibilidade que falta em muito lançamento

A consequência disso é direta: o incorporador precisa entender quem vai consumir antes de definir o que lançar.

Parece óbvio. Não é o que acontece. Muito lançamento nasce do que o terreno comporta e do que a obra sabe fazer, não do que a praça pede. Aí o produto sai desalinhado do público, e a rentabilidade prometida não se sustenta.

O detalhe que quase ninguém olha: a fachada ativa

Há um sinal visível de quem não pensou nisso, e você pode conferir andando pela rua.

Em São Paulo é comum que as lojas do térreo dos edifícios — as chamadas fachadas ativas — fiquem vazias. O condomínio não tem gestão nem liberdade para comercializá-las, e o resultado é um prédio pronto com aparência de obra inacabada.

Quando há gestão profissional desses espaços, o efeito se inverte: marcas conhecidas ocupam o térreo e o próprio empreendimento vira ponto de referência do quarteirão. A conveniência a um elevador de distância deixa de ser argumento de folder e vira valorização real.

É a mesma lógica que vale para mall: espaço comercial sem gestão ativa não aluga sozinho.

Ocupação real, não ocupação de folder

Um número honesto ajuda a calibrar expectativa: a ocupação média em produtos compactos bem localizados em São Paulo gira em torno de 60% a 70%, com picos que chegam a 100% em eventos como a Fórmula 1.

Não é 100% o ano inteiro. E uma praça sem sazonalidade, como a capital paulista, oferece mais previsibilidade do que destinos que dependem de temporada — algo que quem investe em litoral precisa colocar na conta.

O checklist antes de assinar

Localização não é endereço bonito. É o conjunto de razões pelas quais alguém precisa estar ali toda semana.

De onde veio este texto. Ele nasceu do episódio 20 do podcast Segundou, com Bárbara Rizzo, da Helbor. O episódio completo está no YouTube. As falas citadas foram editadas para leitura, preservando o sentido.
Precisa de ajuda com um ponto comercial?

Concepção, dimensionamento, mix, precificação e locação — de mall a Built to Suit.

Falar comigo no WhatsApp

← Todos os artigos